GESTÃO E NEGÓCIOS | PRÁTICO, SEGURO E SEM TAXAS?

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Públicada em: segunda-feira, agosto 30, 2021

Fonte: Gestão e Negócios | Publicado em 08/2021 | Clique aqui e veja a publicação original

Desde as primeiras restrições impostas ao comércio, em março do ano passado, muitas lojas físicas fecharam e o e-commerce ganhou 13 milhões de novos compradores, de acordo com pesquisa da Ebit /Nielsen. Antes de 2020, a penetração das empresas  no  comércio eletrônico era de apenas 6%. Isso significa que 94 % não utilizavam um meio digital sequer para vender seus produtos e serviços.

Com a pandemia, o cenário é outro. O e-commerce ganhou espaço e as vendas por marketplaces, especificamente, cresceram mais de 52%, superando os R$73 bilhões de faturamento. Hoje elas representam 84% do faturamento total das vendas online, ainda de acordo com a consultoria.

Como um grande shopping virtual, com diversas marcas e opções de produto dos mais variados segmentos ,  os marketplaces parecem perfeitos para todo tipo de negócio. E realmente são. Mas é preciso planejamento na hora de escolher o  melhor  canal  para  vender seu produto. “Para ter vantagem, o empreendedor precisa avaliar três pontos: tempo, preço  e  operação.  Não  adianta fazer parte de uma plataforma digital se isso  vai impor um custo adicional que desvitaliza o seu público-alvo, por exemplo”, aponta o presidente da Associação Brasileira Online to Offline (ABO2O) e também do Conselho de Comércio Eletrônico co da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fecomércio/SP), Vitor Magnani.

Em outros aspectos, as plataformas digitais oferecem o sistema de logística, mas, se o empreendedor já tem o seu próprio sistema, não é necessário fazer parte de uma plataforma. E a operação é divulgar o seu produto. As  plataformas digitais já investem em marketing digital para atrair consumidores. Além disso, Magnani diz que é a melhor opção para o empreendedor que deseja digitalizar o seu negócio de forma rápida.

Faça parte do time

Entrar no marketplace não é difícil. A necessidade de aprendizagem para começar a vender online é  muito  baixa, segundo o CEO da Universidade Marketplaces, plataforma espe­cializada em cursos para e­-commerce,  Alexandre Nogueira. “Os marketplaces fazem as vendas, entregam a logística, antecipam os repasses. São hoje os maiores facilitadores   para as vendas pela internet. Para vender no marketplace,o empreendedor não precisa de  nada além do seu produto e internet. Existem marketplaces para todos os tipos de produtos. Não há desculpa  para  não agir”. 

Ainda  segundo  Nogueira,  o  microempresário interessado em apos­tar nesse modelo de negócio não deve ter medo de começar. Mas ele alerta: o Brasil  tem  o  maior  número de  marke­tplaces do mundo e é um erro tentar vender em todos os canais simultaneamente. “Comece pelos três principais: Mercado Livre, Magazine e Luiza e B2W Marketplace. Eles possuem mais de 70% do volume das vendas. Opte por canais com logística própria. Esses três possuem etiquetas logísticas e, dessa forma, a cada venda, o empresário receberá a etiqueta pronta para levar aos Correios”.

Outra  dica  importante   é  começar com pouco. “O empresário não precisará deixar 100% do seu catálogo pronto. Deve ir separando os produtos e cadastrando. Executar é importante. Além disso, estude as regras de repasse . Ca­da marketplace tem um tempo de repasse financeiro e isso é fundamental para entender o impacto no caixa. Como tudo que é novo, estudar auxiliará e diminuirá os erros no caminho” avalia Nogueira.

Também é necessário atentar às embalagens. O cliente terá sete dias para devolver ou cancelar a sua compra, conforme o Código de Defesa do Consumidor (CDC). Dessa forma, estudar o mercado analisando como concorrentes do mesmo segmento enviam os itens é muito importante. Separar um time é outro ponto de atenção. Como tudo que fazemos na vida, se você dedicar pouca energia ao projeto das vendas online, conse­quentemente venderá muito pouco. Precisará dar atenção às vendas pelos marketplaces. Por último, verificar as regras dos canais. Todos eles possuem regras de cancelamento, atraso, reclamações, itens que podem ser comercializados. Entender o que cada canal permite é muito importante.

Qual se encaixa no seu negócio

Na hora de escolher a melhor plataforma, o empreendedor deve pensar em dois aspectos, como conta Magnani. São eles: custos e adaptações necessárias. “Marketplaces possuem diferentes pacotes e taxas sobre o valor de venda, por isso é importante que o empresário adapte seus preços considerando o pacote contratado. Tendo isso em mente, em primeiro lugar, o empresário precisa escolher em quais marketplaces deseja operar, procurar o que mais se adapta ao seu produto. Os consumidores que visitam cada um deles têm  perfis distintos e é preciso analisar bem qual pode ser o de maior interesse para o seu negócio.”

Ter  uma   interface   intuitiva,  fácil  e simples de usar, ainda de acordo com Magnani, é fundamental. Além disso, avalie se eles disponibilizam uma boa variedade de canais para atendimento. Todo mundo se sente mais seguro quando sabe que terá alguém para ajudá-lo quando surgir um imprevisto.

Outra dica é avaliar as comissões e pesquisar qual plataforma tem o melhor  custo-benefício. Em algumas delas, você não paga nada para anunciar, apenas arca com uma taxa quando seu produto é vendido. Fique atento às ferramentas oferecidas por cada uma. Os marketplaces tendem a disponibilizar inúmeras soluções que facilitarão a jornada dentro da plataforma. São recursos para criação de anúncios, logísticas , gerenciamento das operações. “Veja qual oferece o que você realmente precisa, verifique se o marketplace disponibiliza algum programa de vantagens e se as metas são alcan­çáveis. De nada adianta uma plataforma propor uma infinidade de benefícios se as margens não forem viáveis para o empreendedor. Pesquise a reputação dos marketplaces. Com tantas  plataformas focadas nas mais variadas categorias de produtos e serviços , opte por aquela que tem uma boa imagem diante do públi­co”, diz o presidente da ABO20 .

De domingo a domingo

Atualmente as vendas online de muitas empresas superam as vendas físicas. Vender online significa estar mais próximo de qualquer cliente em  qualquer lugar do Brasil e com as portas da loja abertas 24 horas de domingo a domingo, como destaca o vice- presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), Rodrigo Bandeira.

Esse fator, na opinião dele, acaba beneficiando diretamente o microempreendedor. “O marketplace ajuda no  impulsionamento das vendas , uma vez que são ambientes com grande circulação de consumidores em potencial, diante dos elevados investimentos em  publicidade online realizados”, afirma . Outro fator é a segurança no processamento do pagamento recebido, que utiliza tecnologia própria ou terceirizada de ponta. Com isso, a possibilidade de ocorrer fraude realizando uma venda por meio de um canal de marketplace é extremamente reduzida.

Rodrigo Bandeira vê mais benéficos do que problemas ao optar por entrar no marketplace, mas destaca que um dos pontos de maior atenção deve ser a velocidade de envio das mercadorias compradas, assim como a comprovação correta de entregas quando ocorrem. “Ou­tro ponto importante é a correta precificação dos produtos colocados à venda, considerando o percentual de comissão do marketplace e todos os descontos, como os impostos. Nunca esquecendo que o fluxo financeiro da sua loja estará submetido ao fluxo de pagamento de um terceiro no caso o marketplace”, ressalta.

Para a CEO da Smarkets, Mônica Granzo ,  entender  os custos de adesão, taxas de venda e indicadores de a te n­ dimento ao cliente também são pontos que merecem atenção na hora de começar a vender on -line em plataforma de terceiros. “Entre as possíveis vantagens estão o aumento da abrangência e possivelmente das vendas. O marketplace alavanca as demandas e oferece maior visibilidade dos produtos e serviços. Além disso, conforme se ganha experiência de uso, o empreendedor adota processos mais eficientes e melhores práticas. Mas é preciso dedicar esforço ao processo, não  basta  catalogar  produtos e serviços e ficar esperando”,afirma.

Todos conectados

Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGl.br), mais de 130 milhões de brasileiros têm acesso à internet hoje. São potenciais compradores que todo empresário deveria considerar, como aponta Vitor Magnani. “Estar online representa a possibilidade de   conquistar novos clientes pelo Brasil inteiro, diminuir os custos de operações, além da grande visibilidade que a marca terá. Em virtude das medidas de distanciamento social, as empresas tiveram de se digitalizar em um curto espaço de tempo . A maioria não estava preparada para promover as adaptações necessárias no negócio e conseguir crescer no digital. O uso da tecnologia é o mais simples. Difícil é mudar a forma de comunicação com o cliente, atualizar o estoque, revisar os preços dos produtos e estabelecer uma boa logística na entrega.”

Fundadora da marca Buy My Dress, Carolina Esteve considera imprescindível estar presente no digital. “Acredita­mos muito na experiência do consumidor, por isso focamos nosso investimento em nosso site para que fosse o mais prático e fácil de usar, tanto para nossas clientes compradoras quanto clientes vendedoras. Queremos criar uma comunidade de mulheres com o mesmo interesse de comprar vestidos que não usam mais. Por isso, desenvolvemos o nosso site no formato de lojinhas, no qual os usuários podem seguir perfis semelhantes aos seus. Nós também desenvolvemos um processo fácil e prático de devolução com o valor sendo 100% reembolsado para a cliente, caso ela receba a peça e não goste. Prezamos, acima de tudo, um bom atendimento”, conclui.

Cuidado com fraudes

O coordenador da área de Direito Digital e Compliance do Martinelli Advogados em Santa Catarina, Filipe Ribeiro Duarte. explica que o aumento do número de fraudes e tentativas de clonagem de celulares liga o alerta para o WhatsApp Pay. O  Facebook já informou algumas medidas importantes na mitigação desses riscos, como a criação de uma senha (PIN) para confirmar a operação, uso de biometria para autorizar transações e, caso o aplicativo seja instalado em outro dispositivo, reiniciará as informações financeiras salvas no aplicativo.

“Os principais riscos estão ligados à pessoa que utilizar, pois ela  precisará ficar atenta aos golpes de engenharia social. Certamente haverá aumento de ataques, envio de links falsos cujo único intuito é obter informações da pessoa para  aplicar  algum golpe. É necessário ter um pouco mais de atenção a  esses links e informações pedidas  em redes sociais em  geral. Outra preocupação é a privacidade e proteção dos dados pessoais. Isto é, o WhatsApp acessará ou usará os dados de compra para indicar e realizar publicidades, por exemplo? A princípio a empresa  informou que não, mas é necessário acompanhar os próximos passos”, explica o advogado.

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