A Transparência Internacional divulgou o Índice de Percepção da Corrupção 2025, principal referência global sobre a percepção de corrupção no setor público. O estudo avaliou 182 países e territórios em uma escala de 0 a 100, em que pontuações mais altas indicam menor percepção de corrupção.
O resultado aponta para um cenário de estagnação global, com média de 42 pontos e a maioria dos países abaixo do patamar de 50. O Brasil obteve 35 pontos e ocupa a 107ª posição no ranking, mantendo-se entre os desempenhos mais baixos de sua série histórica.
Sob a perspectiva corporativa, o CPI deve ser interpretado como um indicador de risco de integridade: ambientes com maior percepção de corrupção tendem a apresentar maior exposição a riscos regulatórios, operacionais e reputacionais, além de maior probabilidade de fraudes, pagamentos indevidos, conflitos de interesse e irregularidades em interações com o setor público ou com terceiros.
Nesse sentido, os resultados reforçam a necessidade de uma abordagem de compliance baseada em risco, especialmente em operações realizadas no Brasil ou em outras jurisdições com pontuações mais baixas. Entre as principais medidas recomendadas, destacam-se:
- Atualização do mapeamento de riscos de integridade, considerando fatores geográficos, setoriais e nível de interação com o poder público;
- Due diligence de terceiros proporcionais ao risco, com verificações reputacionais, análise de vínculos com agentes públicos e validação da capacidade operacional;
- Controles sobre operações sensíveis, incluindo pagamentos, intermediações, contratações, doações, patrocínios e despesas de hospitalidade;
- Fortalecimento dos canais de denúncia e da capacidade de investigação interna, assegurando independência, confidencialidade e resposta tempestiva; e
- Engajamento da alta administração e ações contínuas de treinamento e comunicação, reforçando a cultura de integridade e a tolerância zero a desvios.
Mais do que um indicador de posicionamento no ranking, o CPI 2025 evidencia a importância da maturidade dos programas de compliance como elemento essencial para a prevenção, detecção e resposta a potenciais irregularidades. Em cenários de maior exposição, a capacidade de gestão proativa de riscos de integridade torna-se um fator crítico para a sustentabilidade dos negócios, a mitigação de responsabilidades legais e a preservação da reputação corporativa.